EUA: Standing Rock Sioux travam batalha histórica e necessitam solidariedade em uma luta que também é nossa – por Tomi Mori

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foto: Native News Online

Na quinta-feira, 27 de outubro, a polícia cercou os manifestantes que lutam contra a construção de um longo oleoduto desde o estado de Dakota do Norte até próximo a Chicago, em direção ao sul; e prendeu 141 pessoas. Dias antes, 22, a polícia prendera 120 pessoas. Segundo relatos dos participantes, foram atacados, brutalmente, por policiais vestidos com uniforme anti-disturbios usando spray pimenta e tanques militares. Desde agosto, mais de 400 manifestantes já foram presos. Os ativistas que estão em luta afirmam que não fazem protestos mas, sim, a defesa de uma causa justa.

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foto: redes sociais

Colocados em jaulas como cães

Os relatos e denúncias mostram que o xerife da jurisdição do condado Morton, em Dakota do Norte, desencadeou uma série de arbitrariedades e violações dos direitos humanos dos detidos, naquele país que se considera o maior defensor da democracia no planeta. Os presos foram obrigados a se despir para serem revistados, forçados a ficarem agachados, marcados com números de identificação na pele e, se não bastasse, metidos em jaulas que poderiam ser usadas para animais, construídas para atender prisões em massa. Esse desrespeito aos direitos humanos levou, até, a uma investigação que está sendo conduzida pelas Nações Unidas(ONU), conforme noticiou o jornal inglês The Guardian.

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Anteriormente, o chefe da Nação Standing Rock Sioux, Dave Archaumbault II, fora preso por defender seu povo e obrigado, também, a se despir para ser revistado. E aqui não estamos falando de um cidadão ordinário que, certamente, tem os mesmos direitos democráticos, mas do chefe de uma nação norte-americana, que possui, segundo dados de 2002, mais de 8 mil membros, número esse resultante do massacre histórico dos sioux.

O problema

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Oleoduto de 1900 km passando por 4 estados

As prisões ocorridas, nas últimas semanas, são produto da luta da Nação Standing Rock Sioux, que faz parte da Grande Nação Sioux, composta por outras nações do mesmo povo.

A luta, que já dura meses, foi necessária para barrar a construção de um longo oleoduto subterrâneo, com cerca de 1.900 quilômetros, estimado em 3.8 bilhões de dólares pela empresa texana Energy Transfer Partners. A luta envolve pessoas e grupos poderosos como Donald Trump, candidato republicano à presidência americana, que tem algo entre meio a um milhão de dólares investido nessa empresa; e empresas petrolíferas.

O projeto viola terras sagradas da nação e representa uma grande ameça ambiental. No projeto inicial o oleoduto passaria longe da reserva sioux, mas, as cidades que estavam no traçado, como Bismarck ao norte, negaram-se a aceitar já que podem ocorrer acidentes. Em caso de vazamento, pode ocorrer um grande desastre ambiental afetando as fontes de água, não só dos sioux, mas, também, de milhões de americanos. A construcão do oleoduto coloca sob risco o rio Missouri, que corre na área. Um oleoduto dessa dimensão, provocará danos ambientais imensos devido a área necessária para a construção e manutenção. E, como resultado final, a continuidade da utilização dos combustíveis fósseis em um momento que, devido às mudanças climáticas, é uma das principais fontes de esquentamento global

Uma luta que é de todos

O que poderia ser uma batalha local, com o passar das semanas, transformou-se em uma das maiores batalhas históricas das nações originárias, que somam cerca de 280 participando da luta. Nações que outrora mantinham relações de rivalidade agora estão unidas contra um inimigo comum. A vitória da Nação Standing Rock Sioux, será uma vitória de todos, contra mais de 500 anos de opressão e usurpação, desde que a chegada de Cristovão Colombo abriu a era de invasão européia no continente.

Além do apoio recebido de outras nações originárias, organizações ambientais e celebridades como Susan Sarandon, Chris Hemsworth, Mark Ruffalo e Shailene Woodley se solidarizam com os defensores. Em setembro, Humberto Piguaje,um lider dos povos originários, da Nação Siecopai do Equador, foi levar sua solidariedade à luta da Nação Standing Rok Sioux. Humberto(veja vídeo) contou como o vazamento de óleo provocado pela Texaco/Chevron havia causado uma gigantesca tragédia ambiental na amazônia.

Em nome do povo Tupinambá , do sul da Bahia, Brasil, Lucienne Sheila dirige-se neste momento ao acampamento de resistência para levar a solidariedade desse grande povo aos parentes sioux.

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Lucciene Sheila segura a bandeira levando a solidariedade brasileira aos parentes sioux.

A luta contra as mudanças climáticas, que desenvolvem-se em várias partes do globo, também, são nossas lutas já que vivemos todos em um único planeta. A solidariedade com essa luta histórica das nações originárias é fundamental para que ela seja vitoriosa.

O chefe da Nação Standing Rock Sioux, Dave, afirmou: “Não descansaremos até que nossas terras, água e locais sagrados estejam protegidos

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