Geosocialismo e Povos Originários

Desde que a proposta de se formar um movimento mundial pelo Geosocialismo foi lançada, ela já está sendo assumida por alguns militantes, ativistas e simpatizantes, particularmente, no Brasil, tendo se transformado em um pequeno e incipiente movimento.Vários companheiros, também, estão refletindo sobre essa proposta. Militantes de alguns países, inclusive, estão esperando a tradução da proposta nas línguas espanhola e inglesa, para que possam aderir à discussão em curso.

Por esse motivo, escrevo esta contribuição, de caráter pessoal, sobre um tema que considero dos mais importantes para um movimento pelo geosocialismo. A relação entre o geosocialismo e os povos originários do planeta.

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O desenvolvimento do comércio mundial, propiciado pelo desenvolvimento da navegação maritma, transformou-se em uma engrenagem que levou à invasão de um grande número de povos em todo planeta. Povos que viviam de acordo com seus costumes, tradições e história. Desde o início, essa atividade comercial foi marcada pelo sangue desses povos, invadidos, massacrados, assassinados, oprimidos e explorados. Essa situação, já dura mais de cinco séculos e, longe de ter acabado, com o desenvolvimento histórico, continua. Com os povos originários sendo cercados e assassinados por mineradoras, madeireiras, usinas hidroelétricas e, principalmente pelos empresários agrícolas.

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Esses povos originários já teriam desaparecido da face da terra, com o desenvolvimento do modo-de-produção capitalista, se dependesse da vontade dos capitalistas. Mas, mesmo numa luta desigual, em posição infinitamente inferior, em uma história marcada pelo derramamento de sangue, massacres, assassinatos e ameças conseguiram resistir e sobreviver. Uma história de injustiça social que continua e se agrava com o crescimento da população mundial e a procura por recursos naturais e hídricos.

Indigenous people attend the ceremony of the lighting of the Indigenous Sacred Fire in Cuiaba

Segundo as Nações Unidas(ONU), a população mundial dos povos originários é, hoje, de cerca de 370 milhões, espalhados em 70 países(Indigenous People, Indigenous Voices Factsheet), composta de 5 mil povos distintos. Se considerarmos a população mundial de 7 bilhões, os povos originários correspondem a menos de 1% da população mundial(0,05%, aproximadamente). Então, qual a importância de se preocupar com esse número aparentemente insignificante?

Corrigir uma injustiça histórica

O movimento pelo geosocialismo, mais do que qualquer corrente política, necessita compreender a natureza histórica da dizimação dos nossos parentes dos povos originários na história dos últimos seis séculos. Foi essa aniquilação física, social e política que levou os povos originários a essa pequena população. E, também, a se constituir em um dos setores mais oprimidos da sociedade e que continua sofrendo os maiores ataques em todas as partes do mundo.

A simples constatação de que 5 mil povos originários estejam submetidos à camisa de força de apenas 70 estados nacionais mostra a dimensão da opressão social e injustiça histórica a que estão submetidos.

O movimento pelo geosocialismo, portanto, necessita colocar-se intransigentemente ao lado da luta dos povos originários, até que esses povos consigam corrigir essa injustiça histórica e possam viver de acordo com suas próprias vontades, costumes, tradições e, inclusive, desejos de mudança. De seu direito histórico à autodeterminação, de formarem seus próprios estados, governos e meios de organização social.

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A necessidade de uma aliança histórica entre os trabalhadores da cidade e do campo, camponeses pobres e povos originários

Vivemos hoje uma brutal crise climática. Essa crise já constitui uma grande ameaça para a vida no planeta, com a extinção de várias espécies. Milhões de seres, dessas espécies, estão morrendo e nem sequer sabemos qual é esse número. E, se não dermos uma solução imediata à crise climática, também a espécie humana pode ser varrida do mapa em um futuro próximo.

O movimento pelo geosocialismo deve explicar à população, bombardeada pela impresna capitalista, dos riscos que todos corremos com a grave crise climática. Milhões de pessoas já sofrem os efeitos da seca, que provoca a falta de água e comida; inundações, que já destruíram milhões de moradias; furacões, que tiveram o mesmo efeito; ondas de calor e doenças ligadas ao aquecimento global. E, mais do que isso, mostrar claramente que, sem derrubarmos o capitalismo no próximo período, o que nos espera é uma tragédia de proporções difíceis de imaginar com a provável morte de milhões de pessoas, por falta de alimentos, água e, possivelmente, por guerras que ocorrerão por causa dessa crise.

Esta fora dos limites desta discussão, mas, a vida no planeta, segundo a geofisilogia, a ciência do sistema terrestre, é dependente da existência da biodiversidade. Vários estudos científicos apontam que os povos originários, como decorrência do seu modo de vida, são os que mais defendem a vida existente no planeta e, portanto, a biodiversidade.

Mas, o geosocialismo, necessita, então, compreender que a luta intransigente para defender os direitos dos nossos parentes dos povos originários contitui, hoje, uma questão imperiosa para defender a vida em todo planeta. A defesa e a aliança com nossos parentes dos povos originários é, portanto, a defesa das nossas próprias vidas. Não há nenhuma possibilidade histórica de se construir uma sociedade socialista no século XXI sem que os povos originários tenham seus direitos respeitados. E que façam parte da nossa luta comum por uma nova sociedade.

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Os socialistas, no geral, não têm dada à essa questão a sua devida importância. O movimento pelo geosocialismo, ao compreender a sociedade atual, necessita levantar uma bandeira de união entre os trabalhadores da cidade e do campo, camponeses pobres e povos originários. Sem essa aliança histórica, não há futuro possível.

Tomi Mori

Tokyo, 8 de novembro de 2016.

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